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#CRÉDITO como um motor de vendas no #VAREJO

10 de dez de 2025

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Nos últimos anos, tenho acompanhado de perto como a Inteligência Artificial vem transformando diferentes áreas do mercado, e uma das que mais me chama atenção é o varejo popular, especialmente nas vendas a crédito no formato de carnê. Esse modelo tradicional, tão conhecido e ainda muito presente no varejo brasileiro, está passando por uma verdadeira revolução silenciosa — e é interessante ver como tecnologia e tradição estão aprendendo a caminhar juntas.

Quem já trabalhou com crédito no passado, sabe o quanto o processo era manual: fichas cadastrais, consultas demoradas ao SPC e Serasa, aprovação que dependia da experiência do analista e, muitas vezes, de um certo “feeling”. Hoje, esse cenário é completamente diferente. Com o uso da IA, é possível cruzar dados de várias fontes — histórico de consumo, comportamento digital, perfil socioeconômico — e, em poucos segundos, tomar uma decisão de crédito com muito mais precisão. É impressionante ver como modelos preditivos conseguem identificar riscos e aprovar crédito quase instantaneamente.

Outro ponto em que a IA faz diferença é na personalização. Agora, os algoritmos ajustam automaticamente limites e prazos conforme o perfil de cada cliente. Isso torna o acesso ao crédito mais democrático: quem antes seria recusado pode ter um limite controlado, e quem tem bom histórico ganha condições melhores. A tecnologia permite equilibrar risco e oportunidade com muito mais inteligência.

Já na prevenção a fraudes, a IA é praticamente indispensável: ela detecta comportamentos suspeitos, analisa documentos em tempo real e reduz consideravelmente tentativas de falsificação, e claro com o uso da biometria facial com prova de vida e outros recursos da solução.

Além disso, a IA oferece uma nova forma de enxergar o negócio como um todo. Com ela, é possível acompanhar o desempenho das carteiras de crédito por loja, produto ou região e ajustar rapidamente taxas, campanhas e políticas comerciais. E o relacionamento com o cliente também mudou: chatbots com IA já conseguem emitir segunda via de carnê, negociar parcelas e até oferecer novas ofertas de forma rápida e personalizada — algo que antes demandava muito tempo e esforço da equipe.

Claro que nem tudo são flores. Implementar IA tem seu custo e exige dados de qualidade. Modelos ruins ou mal treinados podem tomar decisões injustas ou equivocadas. Além disso, há o desafio da LGPD, que pede cuidado extra com o uso de dados pessoais, e o risco dos vieses algorítmicos, que precisam ser constantemente monitorados para evitar discriminações involuntárias. E ainda existe a questão humana: times de crédito precisam entender como esses modelos funcionam para não depender cegamente deles. Também é importante considerar a resistência natural de quem está acostumado com o modelo manual — tanto de vendedores quanto de clientes que ainda valorizam o crédito “da casa”.

Um exemplo prático ajuda a visualizar tudo isso. Imagine uma rede de lojas de eletrodomésticos que ainda trabalha com o carnê tradicional. O cliente chega, informa CPF e renda, e em poucos segundos a IA analisa todo o seu histórico de consumo e comportamento financeiro. Com base nisso, o sistema já indica o valor de crédito ideal, o número de parcelas e até a taxa de juros mais adequada. Se esse cliente atrasar uma parcela, o próprio sistema envia automaticamente uma mensagem via WhatsApp com um tom adaptado ao perfil dele e ajusta novas tentativas de contato conforme a resposta. Estudos mostram que esse tipo de automação pode reduzir em até 40% o tempo de aprovação.

No fim das contas, a IA não veio para substituir o modelo de carnê, e sim para potencializá-lo. Ela traz agilidade, segurança e personalização, sem tirar o valor da relação humana que sempre foi o coração do varejo. O grande desafio — e talvez também a grande beleza desse momento — é encontrar o equilíbrio entre tecnologia e empatia. Porque, no fundo, por trás de cada algoritmo, ainda existe uma pessoa buscando crédito para realizar um sonho — e é nisso que o varejo precisa continuar acreditando.

Por Sandro Souza 💼 Especialista em Crédito e Cobrança | Consultor e Mentor de Operações Financeiras de crédito 💡 Transformando o varejo com dados, pessoas e propósito.

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