

Discurso do Método e Mundo Contemporâneo
28 de set de 2025
2 min de leitura
3
544
0

O Discurso do Método é uma das obras mais influentes da filosofia moderna, escrito por René Descartes em 1637. O livro tinha um propósito claro: tornar o pensamento filosófico acessível a todos. Nele, Descartes apresentou um método racional de investigação baseado na dúvida, na razão e na busca por um conhecimento sólido, capaz de resistir a qualquer contestação. Muitos de seus princípios continuam extremamente aplicáveis no mundo contemporâneo, tanto no campo científico quanto no cotidiano das pessoas e das organizações.
Descartes propõe que devemos colocar em questão tudo aquilo que pode ser duvidado, para que reste apenas o que é absolutamente certo. Essa postura deu origem à famosa frase “Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum), que expressa a primeira verdade incontestável descoberta por ele: ainda que tudo possa ser falso, o simples ato de duvidar prova a existência do pensamento e, portanto, do próprio sujeito pensante.
No mundo atual, esse princípio pode ser entendido como uma convocaç ão ao pensamento crítico. Em uma era marcada por informações abundantes, fake news e opiniões superficiais, a dúvida cartesiana nos ensina a não aceitar verdades prontas. Assim como Descartes propunha revisar suas crenças, nós também precisamos questionar fontes, analisar argumentos e buscar evidências antes de formar convicções.
Outro ponto essencial do Discurso do Método é a valorização da razão como instrumento de progresso. Para Descartes, todos os seres humanos possuem a mesma capacidade racional, o que os diferencia é o modo como a utilizam. Ele sugere um método para orientar o uso correto da razão, dividido em quatro preceitos:
Aceitar apenas o que é evidente, evitando precipitações e julgamentos apressados;
Dividir os problemas em partes menores para analisá-los com mais clareza;
Conduzir o pensamento do simples ao complexo, avançando passo a passo;
Fazer revisões completas, certificando-se de que nada foi omitido.
Esses princípios continuam extremamente atuais. No ambiente corporativo, por exemplo, eles se refletem em práticas de gestão baseada em dados, análise de problemas complexos por etapas e tomada de decisão racional. No campo pessoal, o método cartesiano inspira a organização mental, a clareza nos objetivos e o autocontrole emocional diante das incertezas.
Descartes também afirma que o verdadeiro conhecimento deve conduzir à utilidade prática, ou seja, servir para melhorar a vida humana. Essa ideia antecipa o espírito da ciência moderna e da inovação tecnológica. Hoje, quando discutimos o papel da inteligência artificial, da automação e das novas descobertas científicas, o pensamento cartesiano permanece como base: a razão deve servir à humanidade, e não o contrário.
Por fim, há no Discurso do Método um apelo à autonomia intelectual, convidando cada indivíduo a pensar por si mesmo. Em tempos atuais, essa postura se traduz na responsabilidade de formar opinião própria, na busca pela educação contínua e no exercício da liberdade de pensamento, essenciais para o desenvolvimento pessoal e para a manutenção da democracia. O Discurso do Método não é apenas um marco da filosofia, mas um guia prático de pensamento que permanece relevante. Suas lições — duvidar para compreender, raciocinar com método, agir com clareza e pensar de forma autônoma. Descartes nos deixou mais do que um tratado filosófico: um manual atemporal sobre como pensar melhor para viver melhor.






